Denis Diderot

A Enciclopedia


               Teve início em 1746, quando Diderot foi convidado por Lebreton a traduzir a Cyclopaedia, do inglês Chambers. Diderot a transformou em um trabalho autônomo e por volta do ano de 1750, escreveu Prospectus para angariar fundos para o desenvolvimento de sua enciclopédia.                               

               Em 1751, foi publicado o primeiro volume da encyclopédie raisonné des sciences, des arts et des métiers , par une société de gens de lettres, mis en ordre par M. Diderot de l’Académie des Sciences et Belles-Lettres de Prusse, et quant à la partie mathématique, par M. d’Alembert de l’Académie royale des Sciences de Paris, de celle de Prusse et de la Société royale de Londres, junto ao polêmico discurso preliminar (Discours préliminaire) de D’Alembert.

               A enciclopédia de Diderot contou com a ajuda de grandes filósofos de sua época, como Voltaire, Rosseau, Montesquieu, D’Alembert e aproximadamente mais 200 colaboradores, levou vinte e dois anos para se concluir, com cerca de 60 mil artigos em 28 volumes. Seus artigos, alguns teóricos, outros técnicos, expressavam o pensamento burguês da época, defendendo os valores do trabalho, do progresso e da liberdade. Foi alvo de críticas e oposições de religiosos e nobres. Em 1759, ano no qual Diderot foi preso, as vendas foram proibidas e só retornaram em 1762, após a censura de alguns artigos polêmicos. Os últimos volumes saíram em 1772.

               Foi revolucionária para sua época, pois enquanto os dicionários discorriam somente sobre um assunto, a enciclopédia, buscando criar um padrão de sabedoria, se propôs a ser uma rede que liga todos os campos do conhecimento e intencionava ser um dicionário que pudesse medir a atividade humana com padrões racionais e que fornecesse uma base para a reinterpretação do mundo. Argumentando que o conhecimento, para ser legítimo, tinha de ser filosófico.

               Deste argumento, retoma-se a ideia de antropocentrismo e da supremacia da razão, ao colocar, num exemplo gráfico, no tronco central da árvore do conhecimento a filosofia e deslocar a teologia a um tronco remoto, próximo a necromancia. Com isso, Diderot desbanca o teocentrismo e realoca a razão no lugar de principal argumento das ciências.

               Embora gerasse polêmica, sobreviveu a um bom tempo sem a censura do governo, que pretendia aproveitar-se da obra para competir com a enciclopédia inglesa criada por Chambers, e assim não perder a hegemonia que tinha na Europa.

               A intenção do governo francês foi alcançada e até mesmo superada, as cartas dos livreiros da época mostram que a enciclopédia atingiu todas as partes da Europa, até mesmo cruzando o oceano. Thomas Jefferson comprou duas coleções, uma para seu uso próprio e outra para uso público. No Brasil, foi encontrado um exemplar na casa do Cônego Luís Vieira da Silva, inconfidente mineiro.

               A importância da enciclopédia foi tão grande que foi considerada a obra suprema do iluminismo, deixando claro que o conhecimento provinha dos sentimentos, e não de Roma ou da revelação. Os princípios iluministas presentes na Enciclopédia são vários: a segmentação das disciplinas e dos saberes e a valorização da ciência e da razão. Princípios estes, que ainda são utilizados e ensinados como base para qualquer tipo de conhecimento até nos dias de hoje.


 

                                  capa de “A Enciclopédia” de Denis Diderot