A Religiosa
Foi baseado em um acontecimento real de uma religiosa que tentou revogar os seus votos. A notícia se espalhou pela Europa e chamou a atenção do Marquês de Croismare, um dos amigos mais chegados de Diderot.
Diderot e seus amigos se divertiam ao inventar cartas de seu amigo marquês à religiosa, e riam das respostas que também inventavam. A partir desta brincadeira, Diderot decidiu se aprofundar, sozinho, na história que ele seus comparsas criaram, daí nasceu um de seus mais célebres livros, “A Religiosa”.
A história é uma sátira narrada do ponto de vista da religiosa que fez seus votos contra a sua vontade. Esta personagem recebeu o nome fictício de Suzanne Simonin, e é através da vida dela que Diderot busca expor a vida dentro de um convento e a sua opinião sobre a vida monástica, que considerava uma afronta a natureza.
Em contrapartida, ele se contraria durante a história ao mostrar a personagem Suzanne como uma pessoa livre dos desejos carnais, alguém que não busca mais nada além da liberdade que lhe foi tomada, tornando seu desejo de liberdade moralmente inatacável e transformando-a em uma religiosa exemplar, que desconhece totalmente o “instinto animal”.
O sofrimento de Suzanne é mostrado em partes, desde a opressão de seus pais, a morte de sua querida madre superiora, a chegada da nova madre superiora (a qual Suzanne desafia a autoridade), a tentativa de revogar os votos, a sua retratação, a mudança de convento, a fuga e por fim, a sua morte.
O livro foi escrito misturando os fatos comuns aos fatos extraordinários que aconteciam na vida de Suzanne, a sucessão de eventos foi feita de tal forma que, o “autor-testemunha” e o leitor se identificam com o romance, e se emocionam como se fosse uma história real. Este estilo de escrita é característico de Diderot, que escrevia seus romances primeiro e depois refletia sobre o que escreveu.
A sátira é focada, não na religião, mas na “profissão religiosa”, nas mau-religiosas enclausuradas contra suas vontades que cumpriam suas tarefas, não a serviço de Deus, mas a serviço da Igreja, do homem, do mundo e de suas injustiças. O livro sustenta duas acusações diferentes: a de participarem de uma ordem social e política injusta e a de se apoiarem em um regime que vai contra a ordem da natureza.