Denis Diderot

Filosofia

                           

               Contrário a ideia da preexistência, que dizia que os germes, hoje chamados embriões, já estavam anteriormente prontos no corpo dos genitores, Diderot defendia a ideia da epigenêse, onde a reunião de moléculas que antes estavam dispersas nos corpos de seus pais dão origem ao germe. Essas moléculas “filtraram-se com a linfa, circularam com o sangue, até chegarem ao reservatório destinado a sua coalizão”, o germe liga-se ao útero, cresce, nasce e se desenvolve.

               Diderot também admite a transmissão hereditária das mutações adquiridas: uma longa supressão de um braço durante muitas gerações poderia produzir uma raça maneta, ou seja, o desuso de alguma parte de nossos corpos pode acarretar a atrofiação da mesma.

               Outra ideia de Denis Diderot diz que o grau de normalidade e anormalidade não é medido com base em um modelo ideal, mas de acordo com as necessidades físicas do ser para com o ambiente em que vive. Afirmando que o universo lhe parece as vezes ser  “uma reunião de seres monstruosos”, que a natureza extermina num tempo maior ou menor”, já que as condições naturais mudam e há a necessidade de adaptação, extinguindo aqueles que não  encontrarem um meio de se adequarem. Porém como a mudança é algo gradativo e existem as mutações, essa extinção é de difícil percepção para aqueles que vivem na fase de mudança.

                      

              ‘Política’ é derivada do grego antigo e se refere a todos os procedimentos relativos ao Estado, sociedade, comunidade e definições que se referem à vida humana. Segundo Nicolau Maquiavel, política é a arte de conquistar, manter e exercer o poder.

              Na política, o filosofo Denis Diderot era a favor do direito natural ou naturalismo político, que tinha como preceitos que “a luta dos homens contra a natureza é o primeiro principio da origem das sociedades.”, que a vida em sociedade é um instrumento natural que permite aos homens enfrentar com maior facilidade a luta pela sobrevivência e pelo bem estar, e que o poder tem dois tipos de fontes: a força ou o consentimento daqueles que se submetem.

              O poder adquirido pela força dura enquanto durar a força daquele que comanda, quando a força for superada por aqueles que se submetem, estes poderão expulsar o que comanda com o mesmo direito e autoridade com que o outro se impôs, pois “a mesma lei que fez a autoridade a desfaz, então: é a lei do mais forte” (Diderot, Denis), enquanto o consentimento cria um contrato social, no qual a preocupação do governante é para com o povo, já que “Todo poder emana do povo que é seu legitimo proprietário e em cujo favor é exercido”(Diderot, Denis). Caso o governante não esteja apto a cumprir o contrato ele poderá desistir da coroa, entretanto não lhe é permitido entregá-la a outro sem o consentimento da população.

              O naturalismo de Diderot, quando aplicado a sociedade,mostra, que do ponto de vista político, o melhor regime de governo que pode propiciar a felicidade aos cidadãos e permitir o pleno desenvolvimento da energia de cada um, se não puder ser uma democracia plena, que segundo Diderot só é possível em pequenos estados, deverá ser um regime constitucional representativo, onde existam “canais condutores do interesse e da vontade geral ao soberano, e onde esses canais não possam ser obstruídos pelo ouro nem quebrados pelo soberano”.

              Na concepção naturalista de Diderot, a vontade da maioria se sobrepõe a vontade individual, onde o bem estar da sociedade é a maior preocupação e, sendo Deuso proprietário de todos os reinos e os reis apenas os seus administradores”, a vontade individual do governante não pode se sobrepor à vontade do Estado, pois o governante é apenas um administrador.

              Ao se declarar a autoridade máxima e muitas vezes divina, não deixando espaço para questionamentos de suas ações e sem explicações racionais para elas, o governante se torna um déspota, o tipo de governo ao qual Diderot era totalmente contrário, pois de acordo com o filósofo “Nenhum homem recebeu da natureza o direito de comandar os outros“ e “nenhum homem pode se entregar sem reserva a outro, por que ele pertence a um mestre superior, que é Deus. Só Deus tem poder sobre as criaturas, e ele não delega sua autoridade a ninguém”. Ao se tornar um déspota, o governante estaria ofendendo a Deus e usurpando o direito natural e a liberdade inalienável da população.

              “A liberdade é um presente do céu e cada individuo da mesma espécie tem o direito de desfrutá-la assim como desfruta da razão.” E “Se a natureza estabeleceu alguma autoridade é o poder paterno,mas o poder paterno tem seus limites […] Qualquer outra autoridade provém de uma outra origem que não a da natureza”, sendo assim qualquer outra autoridade que não a paterna necessita de uma das duas fontes de poder para se validar, a melhor das fontes é o consentimento que permite um contrato social justo e o desenvolvimento da sociedade.

              “A Observação das leis, a conservação da liberdade e o amor pela pátria, são as fontes fecundas de todas as grandes coisas e de todas as belas ações.”


       

               Para Diderot, “não existe nenhum homem livre,”. Nossas ações têm sempre como causa as determinações da ordem natural das coisas, a nossa constituição física e a cadeia dos acontecimentos de nossas historia pessoal. O que nos engana é a grande variedade dessas ações, que nos leva a considerá-las espontâneas, quando, na verdade, não são. Esse equivoco se deve a nossa ignorância de suas causas. Além disso, sempre confundimos voluntario com  livre. A ação voluntaria é apenas a ação determinada e consentida.

               Porém cada um age conforme pode agir, segundo a sua constituição. Mas os comportamentos prejudiciais a vida comum devem ser punidos pela lei, não porque sejam imorais, mas porque ameaçam o bem estar dos outros. Assim, a moral não deve se instaurar como lei, pois ela é algo de cada ser, que vem de dentro e leva cada um a agir de uma maneira, independente das regras sociais.

               Diderot, afirma também, que a moral de uma sociedade se instaura perante as condições dessa com o meio em que vivem, então, um homem não pode ser julgado apenas por uma ação, pois como a natureza vive em constante mudança, não se pode esperar que o homem e sua moral permaneçam os mesmos.

               Epicurista, Denis Diderot defendia que “os seres vivos, enquanto obedecem as suas tendências naturais, procuram o prazer como seu bem”, assinalando ainda que Epicuro “é único dentre os filosofo antigos que soube conciliar a moral com aquilo que considerava ser a verdadeira felicidade, e os preceitos morais com os apetites e necessidades da natureza humana”.

               Ao contrário do que dizia a igreja cristã que vê na submissão aos desejos o perigo de pecado, Diderot diz que a primeira norma da moral/felicidade segundo a natureza, é o consentimento as paixões que tornam os homens capazes de grandes coisas.

               Consentir a natureza significa, portanto, para Diderot, recusar a mediocridade e a melancolia, e aderir a exuberância das paixões e ao gozo dos desejos.

 

               

               Diderot defende que Deus não é a natureza, porem sua existência pode ser observada a partir dela. Dizendo que os homens sentem-se obrigados a realizar cultos, para manter sua felicidade a partir das dádivas fornecidas pelos deuses.

               Ele não é panteísta, ou seja, não almeja que os seres alcancem uma união com o divino, dizendo “Eu creio em Deus, embora viva muito bem entre os ateus”.

               Para Diderot os seres são divididos em duas partes, as quais controlam todo o resto do corpo, essas partes são cérebro e diafragma. Para ele, os seres sensíveis são controlados pelo diafragma, e os seres pensantes são controlados pelo cérebro. Porem, os seres sensíveis estão em um estado menos intenso de felicidade, pois eles se entristecem, se entendiam, se exaltam e não usufruem   propriamente do prazer. Já os seres pensantes, podendo controlar melhor a si mesmos, atingem um estado de plena alegria.

               Diderot diz que nos seres pensante há uma assimilação entre consciência e memória. Sendo que a consciência é o sentimento de ter sido sempre o mesmo, ou a percepção da própria identidade. E a memória de nossas ideias e ações passadas, o que constitui essa identidade. Sem essa memória “o ser passaria, a cada sensação, do sono a vigília e da vigília ao sono, e nem teria tempo de se dar conta que existe. Só experimentaria a surpresa momentânea de cada sensação, sairia do nada e recairia nele”, ou seja, o ser pensante é uma unidade corporal que, como tal, é dotada de memória que permite que os seres consigam atingir um grau de intensa felicidade, possível apenas, a partir das lembranças que a memória nos proporciona.